quarta-feira, 31 de março de 2010

A Caçadora de Bruxas - 2º Capítulo

     Não sei se agora qualquer coisa que viesse á minha frente seria capaz de me fazer sentir arrependimento. Eu estava destinada em uma coisa, e teria que estar disposta e principalmente responsável por ela.
     - Porque faltou a semana passada inteira, Amanda? – Danny me perguntou quando coincidentemente me achou andando na rua.
     - Não vou mais estudar.
Ele me olhou desacreditado, mas com um pouco de fascínio em seus olhos claros.
     - Sério? Sério mesmo? Parou de vez? – ele apressou o passo ao meu lado – Mas por quê? Isso não seria uma coisa que o seu avô quisesse, não é?
     - Não sei. – dei de ombros – Mas Danny, sinceramente, eu não vou aguentar, eu vou me dar mal, e com certeza se eu continuasse esse ano eu iria repetir.
     - Mas você sempre tira notas boas.
     - Não é por notas. – não que eu estivesse ficando impaciente com o Danny. Mas as perguntas estavam sim me irritando, aquele não era um dos meus melhores dias, e o rosto dele expressava sua fome por respostas. Claro que aquilo tudo era incrível para ele. – Ás vezes os espíritos vão me procurar na sala de aula, Danny. O meu trabalho faz com que eu tenha que respondê-los, eu tenho que ajudá-los, não é obrigatório, mas eu quero estar á disposição. Ano passado quando algum aparecia era só eu ligar para o meu avô, esse ano não. – eu o olhei – Espíritos costumam ser impacientes.
     - O que eles costumam fazer?
     - Depende. Os mais desesperados costumam possuir corpos e matar as pessoas que causaram seja lá o que eles passaram ou passam, os não tão desesperados ficam vagando até encontrar alguma saída. Os bons vão para a luz de uma vez e não infernizam a minha vida. – eu sorri.
     - Tem alguma coisa recente para fazer? Você vai me ensinar alguma coisa? – seus olhos brilhavam com as perguntas.
     - Danny, sinceramente, eu não acho que seja coisa para você.
     - Mas eu quero ajudar, Amanda.
     Seus olhos suplicavam aquilo, como se ajudar fosse preciso, fosse uma necessidade. Sim, era realmente estranho nascer um interesse desses dentro de uma pessoa, na teoria tudo é mais fácil, mas ele parecia não ter medo algum da prática. Seria mais difícil ser ajudada por alguém que não sabe absolutamente nada do que agir sozinha em tudo.
     - Está bem, só que eu tenho que entrar em casa agora. – eu respondi baixinho, apontando para a minha casa.
     - Tudo bem. – ele concordou. – Tchau, Adams.
     - Tchau, Daniel. – eu sorri.
     Bem, era estranho entrar em casa e se deparar com... ninguém.
     Digo, eu tenho dezessete anos e estou morando sozinha, pode parecer fantástico, mas é complicado. Além do dinheiro que eu ganho roubando no poker, a herança que eu ganhei com a morte de meu avô foi absolutamente enorme, além da casa, do carro, e de todos os bens materiais, o dinheiro que ele tinha não era pouco, e dava sim para eu sobreviver e pagar tudo o que eu tinha que pagar, pelo menos por alguns anos.
     Necessariamente, conseguir dinheiro fácil nunca foi problema para mim.
     Eu vou ser uma ninguém na vida, é claro, mas tem outras formas de se ganhar dinheiro. Nem que seja jogando poker com homens trinta anos mais velhos do que eu, ou apostando dinheiro em cavalos ou que seja. Eu tenho um dom para isso.
     E é assim que vou ganhar dinheiro.
     A energia da casa estava pesada quando entrei, e aquilo aumentava cada vez mais, a cada passo que eu dava. É, eu não estava sozinha.
     Lembre-se, querida, se você não quiser espíritos em casa, sal grosso é a melhor opção. Meu avô podia estar morto, mas pelo amor de deus, na minha cabeça ele estava mais vivo do que antes.
     - Isso, Amanda, sal grosso, sal grosso existe, e não é para churrasco. – eu repetia para mim enquanto subia as escadas.
     O cheiro do andar de cima estava insuportável, e não era minha culpa, antes fosse, era um cheiro forte de ferrugem, meu avô descrevia esse cheiro como “quente”. Era no banheiro, a porta estava trancada quando tentei abrir, a fechadura estava pendente, um chute era capaz de abri-la. Era certo que alguma coisa diferente estava acontecendo atrás daquela porta, e era certo que eu nunca havia aprendido qualquer coisa sobre isso. Ao não ser que o cheiro era sangue.
     Ao olhar para o corredor percebi o rastro que tinha de água, que vinha de baixo da porta do banheiro e acabava no antigo quarto do meu avô.
     Eu chutei a porta com força e ela abriu, bateu contra a parede e voltou. A banheira estava cheia de água e havia sangue lá dentro, o chão não chegava a estar inundado, mas estava com água nele. Não havia mais nada lá.
     Sai do banheiro e segui para o quarto, sendo guiada pelos rastros que iam direto para o lugar. As cortinas estavam voando para dentro do quarto, empurradas pelo forte vendo que parecia forte vindo para dentro, o rastro parou na janela, e na parede da frente estava escrito á sangue: “Victor Adams”.
     Desci correndo para a sala e peguei o telefone.
     - DEVOLVA A MINHA FILHA! – gritou uma voz atrás de mim, que em seguida fez o telefone voar para longe. – TRAGA ELA DE VOLTA!
     Meus olhos se abriram assustados para o espírito, a mulher estava com o vestido coberto de sangue, e a água pingava por ele.
     - Eu... não sei...
     Ela gritou alto e correu em minha direção, segurando meus braços com as mãos, apertando o quanto podia, fazendo suas unhas entrarem, fazendo sangrar.
     - TRAGA ELA AGORA!
     O olhar dela foi periférico por detrás de mim. Ela não estava morta, o corpo pelo menos não, era um espírito usando um corpo. Afastado de nós, jogado perto da lareira havia um corpo. Um corpo de uma criança.
     - Traga ela de volta!
     Naquele momento eu havia entendido.

terça-feira, 23 de março de 2010

A Caçadora de Bruxas - 1º Capítulo



Alguns pensam no dia de amanhã como um recomeço, mas eu penso como se ele não fosse existir. Porque realmente eu posso não estar viva nele.

           Meu avô, quando vivo, sempre me dizia, e praticamente me mandava viver cada dia como se fosse o meu último, porque eu iria precisar disso para talvez não ficar louca, ou para talvez não ter tanto medo do que viesse á acontecer. Mas com o tempo você se acostuma á essa vida, e vai se prendendo á ela cada vez mais. Ou não.
            No meu caso eu venho a tendo desde os dez anos, na prática. Aos seis vi o meu primeiro espírito, podemos assim dizer. Fui para o psicólogo com sete e aos oito estava exorcizando demônios de dentro de pessoas. Claro que não, aos oito aprendia Latim para que quando tivesse quinze exorcizasse, hoje tenho dezessete e já vi mais que o Dean e o Sam de Supernatural. O problema nem era esse, eu poderia muito bem viver e superar o meu pequeno problema em conseguir ver demais as “coisas”, porque eu tinha o meu avô, e na maioria das vezes era ele quem fazia todo o trabalho.
            E se eu soubesse como era pesado ter esse carma nas costas, teria mentido para mim mesma quando vi aquele espírito dando tchau para mim quando eu tinha seis anos. Minha vida seria muito menos perturbante.
            Meu nome é Amanda Adams, não sou uma caçadora de bruxas. Mas é assim que eles – os que não vivem mais – me conhecem.
            Meu avô morreu faz duas semanas, de velhice, eu estava a ponto de achar que ele era do tipo imortal. Não o vejo como espírito rondando por ai, ele deve ter encontrado a luz, e ido para seja lá aonde vão quando morrem. Só sei que para o inferno ele não pode ir, já mandamos tanta gente para lá, que é provável que queiram o matar mesmo ele já estando morto.
            Mas o ponto é que agora eu estou sozinha nesse mundo. Não posso mais contar para ninguém, não posso mais ter dúvidas, não posso errar. Porque só existe uma caçadora de bruxas. E infelizmente, sou eu.
            - Hey! Adams! – gritou alguém atrás de mim.
            Me virei com impaciência, sendo socada e empurrada pelas pessoas que tentavam passar pelo corredor.
            - O quê você quer? – perguntei curiosa, recentemente o Danny estava me perseguindo e me espionando nos lugares. Muito estranho ele fazer isso, sendo que a fama dele sempre foi o “pop” da escola.
            - Esqueceu isso na sala. – as sobrancelhas dele levantaram de um modo assustador até para mim, um sorriso malicioso cresceu em seu rosto. – Eu sei de tudo, Amanda.
            Ele estendia o livro bem na frente da minha cara, era o Malleus Maleficarum, o meu livro mais importante de caça.
            - Me devolve isso! – arranquei o livro das mãos dele e fui rápida em guardar na minha bolsa. – Nunca, nunca conte isso para ninguém, está me ouvindo? Você leu? Se você leu você tá ferrado pelo resto da eternidade, entendeu? Vou matar você com as minhas unhas.
            Ele ainda sorria.
            - Eu quero ajudar você. E se você não concordar, vou contar para a escola inteira que a Amanda Adams é uma doida que tem um livro de magia em Latim, e que tem ataques e surtos, e que se comunica com o submundo.
            - Sem chance. – eu dei uma risada de escárnio. – Não tenho medo de um loiro metido feito você.
            Sorriu novamente.
            - Eu sei o que você estava fazendo quando cabulou a aula de matemática ontem. Eu tirei fotos, Amanda. – ele fez uma careta.
            Respirei fundo e o olhei com ódio.
            - Cabeças vão rolar.
            - Sim. - ele repetiu – Muitas cabeças ainda irão rolar.


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Nota: A Caçadora de Bruxas irá ser uma série, aonde eu irei escrever um capítulo a cada semana - se eu conseguir. Isso além dos contos. O capítulo foi pequeno, foi só para descrever como começou a vida da Amanda, e como se formou a "dupla": Amanda e Danny. Esse cap foi bem light, podemos dizer; não prometo o mesmo no próximo. Cabeças vão rolar!

Dark Carnival


Olá todo mundo!
Bem, antes de tudo eu queria agradecer aos comentários do primeiro post. MEU DEUS, eu fiquei feliz de verdade, espero que mais pessoas achem e goste desse blog, fará a Gaby feliz *-*

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And she runs on her own
And you’ll hurt before you know
Not a sweet alibi
When you get your bloody dose
In the still of the night
It is there you’ll feel it most
In this dark carnival
Where the end is… Close.




sábado, 20 de março de 2010

Primeira Frustrante Postagem

Mais frustrante que ter o seu texto inteiro apagado cruelmente pelo seu notebook burro que desliga sozinho, é saber que você vai ter que escrever toda aquela mer** de novo. Então com esses erros aprendemos que temos que parar de ter preguiça de abrir o Word e assim não correr o risco de escrever direto na postagem do blog, sabendo que várias coisas podem acontecer, como por exemplo; seu note estúpido pode desligar; pode acabar a energia; seu pai pode não ter pagado o speed; se você usa ilegalmente a internet da vizinha por wifi, ela pode desligar o aparelhinho (?; um meteoro pode cair na sua casa. E nada disso chega á tamanho frustração que é ter um texto ENORME sendo dilacerado pelo vento eletrônico do rodamoinho da morte. Triste fim.
Sim, eu não iria conseguir fazer esse meu primeiro post sem desabafar sobre esse acontecimento traumatizante, então vamos pular para a parte chata - que eu já escrevi antes, não se esqueça disso. Meu nome é Gabrielly (Gaby), tenho quinze anos e moro no Brasil, óoh. Sou a típica filha folgada e desocupada que se não está no computador está dormindo. Simples. Já fiz milhões e milhões de blogs, e nenhum nunca deu certo pelo simples motivo de eu não saber o que escrever nele, então, graças a minha melhor amiga, Andressa A. Martino - Nome inteiro, porque existem muitas Andressa’s nesse mundo -, (Oi Drê! *-*) eu decidi fazer um blog para escrever contos, o que a Drê também vai fazer (desculpa pelo Plágio de ideias :/ prenda-me). A diferença é que eu vou escrever contos sobre terror, assassinatos, espíritos, detetive, e etc. Estou totalmente sobre a proteção da minha escritora favorita Agatha Christie, que com certeza me ajudará quando eu for escrever (viajei), e inspirada no Stephen King, que me fez ter medo de uma história sobre uma máquina de secar roupas assassina - só ele consegue fazer essas coisas -, bem, na verdade eu não lembro se era máquina de secar roupas, só lembro que era uma máquina e que ela matava as pessoas.
Espero que esse blog dê certo, e espero que todos gostem das minhas histórias, ou que pelo menos alguém leia.
Beijos pra vocês,
Gaby Brasca.