segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Caçadora de Bruxas - 3º Capítulo

     Eu inspirei fundo. Havia uma criança morta, uma criança realmente morta dentro da minha casa, e havia uma pessoa possuída á minha frente, literalmente desmoralizada, que provavelmente é culpada pelo cadáver no chão da minha sala. E é claro, eu não fazia ideia do que fazer.
      - Você precisa se acalmar. – eu disse baixo para ela. – Retire a possessão.
     Os vidros da estante estouraram, junto com as porcelanas importadas de minha avó. Logo depois os pregos que seguravam as prateleiras começaram a desenroscar, fazendo sair restos de madeira.
Inspirei fundo de novo. O corpo que estava sendo usado pelo espírito teria que ser forte, o que eu duvidava ser. Exorcizar não é uma coisa que eu goste de fazer, nem uma coisa que seja fácil, é provável que a pessoa possuída morra, e é um saco sumir com o corpo. O espírito vai consumindo muito rápido a pessoa, se a pessoa não for forte o bastante para segurar um pouco que for seu próprio espírito, não agüenta quando o exorcismo é feito. Agora vai explicar para alguém como “segurar” o próprio espírito.
     Fui me aproximando lentamente, enquanto ela parecia entrar em combustão consigo mesma, agarrei os seus ombros o quanto pude e a apertei.
     Comecei a sussurrar certas palavras em Latim, para o exorcismo, mas antes que eu pudesse ao menos sussurrar a primeira frase, a mulher escorregou para o chão, e caiu aos meus pés, talvez morta.
     Eu não havia entendido muito bem, ou a mulher havia reagido ou o espírito resolveu sair do corpo, sim, era óbvio que ele sabia que eu estava exorcizando, mas é raro acontecer uma fuga como essas.
     Ajoelhei ao chão e apertei meus dedos contra a garganta da mulher, procurando algum vestígio de batimentos cardíacos.
     - Danny? – perguntei ao ouvir a voz mal-humorada do outro lado da linha. – É a Amanda. – avisei.
     - Ah, Oi Mandy. – ele disse com o tom de voz mudado.
     Mandy? Que merda era aquela?
     - Então... Danny. – comecei, andando de um lado para o outro na sala, não me permitindo olhar para os corpos jogados ao chão. – Lembra quando você disse que queria me ajudar?
     - Uhum. – ele respondeu distante.
     - Parabéns, você conseguiu minha confiança. – dei uma risada quase histérica.
     - O que você fez? – ele riu divertido – Matou alguém? – ele riu mais ainda, achando graça.
     - Aí depende do seu ponto de vista. – repliquei. – Tem sangue na minha banheira, tem escritas á dedo na parede, água no chão, vidro e prateleiras quebradas, e dois corpos na minha sala. Mas não posso dizer que eu matei alguém, porque realmente eu acho que não matei.
     Fiquei tanto tempo ouvindo o vácuo do telefone que pensei que ele havia por fim desligado.
     - Danny?
     - Isso sempre constou no contrato? – ele falou repentinamente. – Quero dizer... Eu pensei que você só via espíritos e mandava eles pro além, ou sei lá, mas corpos? Tem pessoas mortas de verdade na sua casa? E sangue?
     - Eu disse que você não daria conta. – revirei os olhos decepcionada. – Tchau.
     - Não, não! Espera ai, Adams! – ele gritou, o que me fez afastar o telefone do ouvido. – Mas que seja, eu ajudaria em quê?
     - Com o trabalho pesado, óbvio. – eu disse calma – Pesado de peso, porque quem sofre mais aqui sou eu.
     - Como assim?
     - Eu quero que você desapareça com os corpos, Danny. – expliquei impaciente.
     Ele riu.
     Dez minutos depois a campainha tocou várias vezes seguidas. Abri uma pequena passagem só para que eu pudesse ver quem era. Danny estava lá com sua cara um pouco assustada e com as mãos tremendo.
     O puxei para dentro antes que o menino mudasse de ideia.
     - Seja bem-vindo á residência dos Adams. – eu disse sarcástica.
     Ele continuou em silêncio, como se tivesse acabado de entrar em uma casa mal-assombrada.
     - Eu arrumei um pouco a bagunça que ela fez, – apontei para detrás do sofá, onde o corpo estava. – pra você não ficar mais assustado ainda. Trouxe o sal?
     Ele jogou uma sacola de mercado em minha direção, ainda intacto.
     - Aquilo é uma menina? – ele virou seus olhos arregalados para mim. – Você matou uma criança, Amanda?
     - Não, é claro que não! Eu não mato ninguém, Danny. – expliquei rápido – Quando eu desci as escadas ela já estava lá no chão, nunca a vi em toda a minha vida, te juro.
     Ele levou as mãos aos cabelos e suspirou.
     - Eu coloquei os sacos de lixo em cima da mesa.
     - Sacos de lixo? – ele riu sem entusiasmo. – Você acha que eu vou aguentar levar uma pessoa em um saco de lixo?
     - Não, Danny. – revirei os olhos – Nós vamos limpar a casa depois, mais de trinta peças de cristal da minha avó se quebraram, e ela mutilou as estantes. Vou ter que tirar algumas fotos da parede lá em cima antes de limpar, e ainda tem o banheiro. Você vai levar os corpos no meu carro. E enquanto isso eu vou tacar sal grosso nas janelas e portas. – cruzei os braços, pensativa. – Já pensou o que vai fazer?
     - Sim. – ele frisou os olhos. – Eu tenho um amigo ai que é metido nessas coisas de tráfico, ele sabe de um lugar que pode me ajudar.
     - Você tem um amigo traficante? – eu ri e balancei a cabeça. – Eu te ajudo a colocar os corpos no porta-malas, a porta pra garagem fica embaixo da escada.
     O ajudei levando o corpo da menininha, era desgastante ver aquilo, uma criança inocente morta. Depois que as duas já estavam colocadas no carro Danny foi procurar alguma coisa para cobri-las.
     Pouco tempo depois meu amigo já estava indo embora para o lugar do amigo traficante dele, e eu voltei para dentro de casa, morrendo de medo da policia parar ele, morrendo de medo de descobrirem os corpos.
     A casa já estava quase limpa depois de algumas horas trabalhando feito escrava nela, sem a ajuda do Danny, que não voltava e nem atendia o celular. O relógio já marcava cinco da tarde, três horas haviam se passado. A parede do quarto do meu avô estava limpa, porém com marcas rosadas, as fotos tiradas estavam guardadas no cofre. Só faltava jogar o lixo para fora, e depois, o sal grosso.
     A minha vizinha da frente, Senhora Judy, estava me lançando um de seus olhares penetrantes quando sai quase arrastando aquele saco monstruoso de enorme para fora de casa, era inegavelmente pesado toda aquela tralha de cristal. Dei um sorriso sem graça para ela, que sem dúvidas estava pensando alguma coisa má de mim.
     - O que tem ai, Adams? – ela gritou lá do jardim dela, como uma boa fuxiqueira.
     Lancei um sorriso amável para ela.
     - No final, senhora Judy, meus namorados sempre acabam sendo carregados por mim. – eu respondi sorrindo angelicalmente, vendo o seu sorriso de escárnio sumir aos poucos, horrorizado.
     Velha fofoqueira.
     Tive que levar o saco até o final da rua para jogá-lo junto com o lixo de materiais de construção, que estava sendo usada na reforma de uma das casas de lá. Bem, eu não estava tão mal assim, finalmente havia conseguido resolver as coisas sem o meu avô. Ah vai, fala sério, eu sou a melhor caçadora de bruxas que existe.
     - Oi, moça. – disse uma delicada voz ao meu lado. – Meu nome é Jenny.
     Olhei para os lados sem encontrar ninguém.
     - Estou aqui atrás. – ela disse.
     Quando me virei havia uma menina ali, parada e sorrindo, com duas trancinhas amarradas ao lado da cabeça, com um cabelo preto e liso. Horas atrás havia uma criança morta na minha casa, e agora ela estava na minha frente.
     - Você viu a minha mãe?

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     Nota: Depois de anos luz eu postei (viva á mim), o capítulo ficou bíblia grande, mas espero que vocês gostem. As fotos da falecida Brittany Murphy me inspiram demais, pego uma foto do filme The dead Girl, e já invento um capítulo com ela, ou seja, ela só foi jogar lixo pra fora porque eu gostei da foto(? e a foto TINHA que estar ali, mas enfim, quem quer saber? Comentem, por favor, senão com certeza não vou ter inspiração pra escrever mais, e preguiça, e essas coisas. Obrigada e tchau. (y

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mindfucks

     Desculpem por eu ter praticamente "abandonado" meu blog, bem no começo dele (sou demais). Sei lá, não vou dar desculpa de época de provas - mesmo sendo... -, ou muito lição e tal, é preguiça mesmo. Mas o terceiro capítulo da Caçadora De Bruxas está em andamento e vou escrever bastante para ter vários capítulos já prontos. Obrigada, obrigada mesmo por gostarem da minha história.
     E agora, só para dar um tchan, vou mostrar uma foto super traumatica pra vocês *-* Porque assim, já que eu vi, vou fazer todos vocês verem também. Isso - a foto - é uma espécie de jogo que criaram na internet, que chama "Mindfucks" e você tem que procurar na foto alguma coisa estranha ou diferente. O difícil é ter coragem pra encarar a foto.. não sabendo o que você pode achar nela..
     Agora se você for ver, clique na foto pra ela ficar maior, porque você não vai conseguir ver nesse tamanho.


     Conseguiram achar? Medo? haha, fica encarando por uns 5 minutos agora. Nem sei como tive coragem de salvar isso no meu computador. Ok, sou muito medrosa para alguém que escreve o que eu escrevo. Tchau, bons sonhos, e paciência para o próximo capítulo, muitos mindfucks até lá.