Não sei se agora qualquer coisa que viesse á minha frente seria capaz de me fazer sentir arrependimento. Eu estava destinada em uma coisa, e teria que estar disposta e principalmente responsável por ela.
- Porque faltou a semana passada inteira, Amanda? – Danny me perguntou quando coincidentemente me achou andando na rua.
- Não vou mais estudar.
Ele me olhou desacreditado, mas com um pouco de fascínio em seus olhos claros.
- Sério? Sério mesmo? Parou de vez? – ele apressou o passo ao meu lado – Mas por quê? Isso não seria uma coisa que o seu avô quisesse, não é?
- Não sei. – dei de ombros – Mas Danny, sinceramente, eu não vou aguentar, eu vou me dar mal, e com certeza se eu continuasse esse ano eu iria repetir.
- Mas você sempre tira notas boas.
- Não é por notas. – não que eu estivesse ficando impaciente com o Danny. Mas as perguntas estavam sim me irritando, aquele não era um dos meus melhores dias, e o rosto dele expressava sua fome por respostas. Claro que aquilo tudo era incrível para ele. – Ás vezes os espíritos vão me procurar na sala de aula, Danny. O meu trabalho faz com que eu tenha que respondê-los, eu tenho que ajudá-los, não é obrigatório, mas eu quero estar á disposição. Ano passado quando algum aparecia era só eu ligar para o meu avô, esse ano não. – eu o olhei – Espíritos costumam ser impacientes.
- O que eles costumam fazer?
- Depende. Os mais desesperados costumam possuir corpos e matar as pessoas que causaram seja lá o que eles passaram ou passam, os não tão desesperados ficam vagando até encontrar alguma saída. Os bons vão para a luz de uma vez e não infernizam a minha vida. – eu sorri.
- Tem alguma coisa recente para fazer? Você vai me ensinar alguma coisa? – seus olhos brilhavam com as perguntas.
- Danny, sinceramente, eu não acho que seja coisa para você.
- Mas eu quero ajudar, Amanda.
Seus olhos suplicavam aquilo, como se ajudar fosse preciso, fosse uma necessidade. Sim, era realmente estranho nascer um interesse desses dentro de uma pessoa, na teoria tudo é mais fácil, mas ele parecia não ter medo algum da prática. Seria mais difícil ser ajudada por alguém que não sabe absolutamente nada do que agir sozinha em tudo.
- Está bem, só que eu tenho que entrar em casa agora. – eu respondi baixinho, apontando para a minha casa.
- Tudo bem. – ele concordou. – Tchau, Adams.
- Tchau, Daniel. – eu sorri.
Bem, era estranho entrar em casa e se deparar com... ninguém.
Digo, eu tenho dezessete anos e estou morando sozinha, pode parecer fantástico, mas é complicado. Além do dinheiro que eu ganho roubando no poker, a herança que eu ganhei com a morte de meu avô foi absolutamente enorme, além da casa, do carro, e de todos os bens materiais, o dinheiro que ele tinha não era pouco, e dava sim para eu sobreviver e pagar tudo o que eu tinha que pagar, pelo menos por alguns anos.
Necessariamente, conseguir dinheiro fácil nunca foi problema para mim.
Eu vou ser uma ninguém na vida, é claro, mas tem outras formas de se ganhar dinheiro. Nem que seja jogando poker com homens trinta anos mais velhos do que eu, ou apostando dinheiro em cavalos ou que seja. Eu tenho um dom para isso.
E é assim que vou ganhar dinheiro.
A energia da casa estava pesada quando entrei, e aquilo aumentava cada vez mais, a cada passo que eu dava. É, eu não estava sozinha.
Lembre-se, querida, se você não quiser espíritos em casa, sal grosso é a melhor opção. Meu avô podia estar morto, mas pelo amor de deus, na minha cabeça ele estava mais vivo do que antes.
- Isso, Amanda, sal grosso, sal grosso existe, e não é para churrasco. – eu repetia para mim enquanto subia as escadas.
O cheiro do andar de cima estava insuportável, e não era minha culpa, antes fosse, era um cheiro forte de ferrugem, meu avô descrevia esse cheiro como “quente”. Era no banheiro, a porta estava trancada quando tentei abrir, a fechadura estava pendente, um chute era capaz de abri-la. Era certo que alguma coisa diferente estava acontecendo atrás daquela porta, e era certo que eu nunca havia aprendido qualquer coisa sobre isso. Ao não ser que o cheiro era sangue.
Ao olhar para o corredor percebi o rastro que tinha de água, que vinha de baixo da porta do banheiro e acabava no antigo quarto do meu avô.
Eu chutei a porta com força e ela abriu, bateu contra a parede e voltou. A banheira estava cheia de água e havia sangue lá dentro, o chão não chegava a estar inundado, mas estava com água nele. Não havia mais nada lá.
Sai do banheiro e segui para o quarto, sendo guiada pelos rastros que iam direto para o lugar. As cortinas estavam voando para dentro do quarto, empurradas pelo forte vendo que parecia forte vindo para dentro, o rastro parou na janela, e na parede da frente estava escrito á sangue: “Victor Adams”.
Desci correndo para a sala e peguei o telefone.
- DEVOLVA A MINHA FILHA! – gritou uma voz atrás de mim, que em seguida fez o telefone voar para longe. – TRAGA ELA DE VOLTA!
Meus olhos se abriram assustados para o espírito, a mulher estava com o vestido coberto de sangue, e a água pingava por ele.
- Eu... não sei...
Ela gritou alto e correu em minha direção, segurando meus braços com as mãos, apertando o quanto podia, fazendo suas unhas entrarem, fazendo sangrar.
- TRAGA ELA AGORA!
O olhar dela foi periférico por detrás de mim. Ela não estava morta, o corpo pelo menos não, era um espírito usando um corpo. Afastado de nós, jogado perto da lareira havia um corpo. Um corpo de uma criança.
- Traga ela de volta!
Naquele momento eu havia entendido.



6 comentários:
pareçeu o seriado 48 horas este capitulo, foi corrido e com adrenalina .............. amo-te
perfeito,sem mais (eu profunda)
Maais que perfeito *-*
Ahh, demorei muito pra comentar, mas aqui estou -QQ
Enfim, eu a-mei esse capítulo. MeuDeus, que que é isso?! Muito bom, muito bom! *_*
Aaaaah Meeeu muitoo fooda anciosa pro 3º capituulooo *---*
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